História do Concelho de Azambuja
As origens da vila de Azambuja perdem-se no tempo. De acordo com alguns historiadores do séc. XVIII, a localidade já existia na época romana com o nome de Oleastrum, cujo significado é zambujeiro embora não confirmado por muitos escritores da antiguidade.
Após a invasão dos muçulmanos em 711, da era cristã, terá sido ocupada pelos Árabes, que a designam como Azanbujâ, cujo significado é “Oliveira Brava”. Este nome terá sido, provavelmente, atribuído pelos árabes em resultado da fundação de uma nova localidade onde existiam oliveiras bravas ou então devido à restauração de uma antiga povoação conquistada pelos muçulmanos aos cristãos, logo após a invasão da Península Ibérica por Tariq em 711.
Depois da tomada de Santarém e de Lisboa, 1147, por D. Afonso Henriques, Azambuja terá sido povoada ou repovoada por francos passando a ser chamada de Vila Franca. Estes cruzados deveriam fazer parte de uma das armadas que se dirigia à Terra Santa, mas que tentaram a sua sorte na Península Ibérica, na luta contra os muçulmanos. Por razões desconhecidas, esse povoamento acabou por fracassar, conduzindo-o ao seu abandono.
Em 1200 D. Sancho I doa a então Vila Franca (hoje Azambuja) a D. Rolim de Moura, filho de D. Rolim de Moura, e a todos os flamengos presentes e futuros, concedendo-lhe o primeiro foral. Como se deduz na Carta de Doação, Azambuja já era povoada, e a sua concessão tinha como objectivo legalizar e definir claramente essa ocupação.
Esta designação manter-se-á até o início do séc. XIII, altura em que foi substituída pelo topónimo Azambuja, tal como confirma a carta de doação da Azambuja, concedida por D. Afonso II a D. Rolim em 1218.
Em 1296, D. Dinis – “o Rei Lavrador” – à semelhança do que fez em Leiria, mandou semear nas redondezas, mais precisamente nas Virtudes, o célebre Pinhal de Azambuja, largamente mencionado por Almeida Garret na obra Viagens da Minha Terra.
Em 1513, a 7 de Janeiro, D. Manuel concedeu ao concelho de Azambuja um novo foral, diploma que se inseriu no projecto jurídico-administrativo, conhecido pela reforma dos forais.
Também neste âmbito, outras localidades vizinhas foram contempladas com novos forais, como é o caso de Aveiras de Cima e Vale do Paraíso (13/09/1513) onde se outorgou que ficariam simultaneamente cabeças e partes integrantes de um mesmo concelho, mas Aveiras de Cima seria a capital administrativa deste novo concelho, Alcoentre (26/09/1513) e Aveiras de Baixo (19/09/1514), reconhecia em qualquer dos casos que já existia um concelho anterior à sua data de concessão. Podemos verificar que o Concelho de Azambuja seria o mais importante, sob o aspecto político, administrativo e económico.
Ainda assim e com o decorrer dos tempos o concelho de Azambuja foi crescendo de importância. Em meados do século XVIII detinha, no campo administrativo e judicial, dois juizes ordinários, três vereadores, um procurador e entre outros, tudo por conta do donatário. No campo militar, tinha um capitão, um alferes, dois sargentos e uma companhia de ordenança. No eclesiástico, um vigário da vara, com escrivão e meirinho. No governo da Fazenda Real, um provedor das lezírias, um almoxarife que assistia à repartição dos frutos, com seu escrivão; um alcaide, um escrivão e um arrecadador de sisas.
No início de século XIX o reino estava coberto por mais de 800 concelhos, que se caracterizavam entre si por uma relativa uniformidade legislativa e por uma grande diversidade das dimensões dos seus territórios, fruto não de um projecto global de organização administrativa territorial, mas de sucessivos legados e mercês régias a que foi sujeito o território português. Havia então necessidade de organizar o sistema administrativo por isso foi promulgado um decreto, a 6 de Novembro de 1836, com o objectivo de organizar convenientemente o reino, traduzindo-se na primeira grande reestruturação concelhia, caracterizada sobretudo pelo desaparecimento dos pequenos concelhos, como o caso dos concelhos de Aveiras de Cima e Aveiras de Baixo, que foram integrados no concelho de Azambuja, como freguesias.
Por volta de 1854, opera-se à segunda operação reorganizadora revelando-se menos benéfica para a Azambuja, na medida em que é confrontada com a ameaça de extinção do seu concelho (Azb, Av. Cima e Av. Baixo) e respectiva anexação ao vizinho concelho do Cartaxo. Contra esta intenção a população e a autarquia remetem ao rei representações para evitar que tal acontecesse, defendendo a identidade local como argumento.
No ano seguinte, por decreto de 24 de Outubro, em resultado do trabalho da comissão encarregada da reforma da divisão territorial do reino e ilhas adjacentes, o concelho de Azambuja recebe as freguesias de Vila Nova da Rainha, desanexada do concelho de Alenquer, Manique do Intendente e Alcoentre, do extinto concelho de Alcoentre.
Vila Nova da Rainha tinha sido elevada à qualidade de vila por D. Fernando, a 10 de Fevereiro de 1376, através da outorga de uma carta de mercê, que lhe conferiu autonomia administrativa em relação ao concelho de Alenquer. Todavia, a 25 de Dezembro de 1383, D. Leanor Teles, na qualidade de regente do Reino, reintegra a Vila Nova da Rainha no termo de Alenquer, a cujo o concelho pertenceu até 24 de Outubro de 1855, altura em que é integrada no Concelho de Azambuja, tal como referimos no parágrafo anterior.
Foi aprovada uma nova reforma, a 10 de Dezembro de 1867, com o objectivo de reorganizar administrativamente o reino, ficando sem efeito a 14 de Janeiro de 1868. Nesta tentativa o concelho de Azambuja era suprimido e integrado no de Alenquer, como paróquia civil, constituída pelas paróquias eclesiásticas de Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima e Azambuja. Alcoentre transitava para o concelho do Cartaxo, como paróquia civil, formada pelas paróquias eclesiásticas de Alcoentre e Manique do Intendente.
Restaurado o concelho de Azambuja, a sua configuração administrativa só viria a sofrer alterações no século seguinte. No início da 1ª República, é promulgada, a 3 de Maio de 1916, pelo Presidente da República, Bernardino Machado, a Lei n. 522, que cria na povoação do Vale do Paraíso, então pertencente à paróquia de Aveiras de Cima, uma paróquia civil.
Anos mais tarde, o concelho de Azambuja é novamente reestruturado com o desdobramento da freguesia de Manique do Intendente em duas. É, então, criada por lei de 16 de Julho de 1924, uma nova freguesia, Vila Nova de São Pedro, desdobrada da de Manique do Intendente. Esta localidade fez parte da freguesia de São Pedro de Arrifana, até 11 de Julho de 1791 quando o senhorio foi dado por D. Maria a Diogo de Pina Manique pelos serviços prestados ao reino. Esta povoação de origem pré-histórica esteve desde de 1791 a 1924 ligada a Manique do Intendente.
Como resultado do crescimento da densidade populacional e desenvolvimento agrícola a freguesia de Manique do Intendente é novamente desmembrada, originando uma nova freguesia. É então criada através da lei n.º 98/85 de 4 de Outubro de 1985, a freguesia da Maçussa.
A sua localização à beira Tejo entre a província do Ribatejo e o Distrito e Patriarcado de Lisboa, confere-lhe uma série de especificidades que se espelham nos modos e formas de vida local.
Fonte: Freire, Pedro (2001), “Por Terras de Azambuja” in Patrimonia: Identidade, Ciências Sociais e Fruição Cultural, N.º8, ISSN: 0873-559X

Azambuja – aspectos característicos …
Município localizado geograficamente como o mais oriental do distrito de Lisboa, dotado de excelentes acessibilidades quer pela auto-estrada – A1, quer pelos caminhos-de-ferro, o Concelho de Azambuja é composto por aglomerados habitacionais, lugares e aldeias que constituem as suas 9 freguesias: Vila Nova da Rainha, Azambuja, Aveiras de Baixo, Vale do Paraíso, Aveiras de Cima, Alcoentre, Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro. Apresentando um aspecto longo e disparo, razão pela qual se traçou, imaginariamente, uma dicotomia interessante que liga as suas gentes ao Rio e à Terra.
Assim podemos caracterizar este concelho, através da análise geo-morfológica e da influência que esta tem sobre os modos de povoamento e desenvolvimento:
A sul, o Campo, as Lezírias, terras banhadas pelo Tejo, gozam de uma fertilidade invulgar que lhes permite a cultura do milho, arroz, melão, tomate…. Para além disso, proporcionam-nos momentos deslumbrantes de lazer ao passarmos pelas terras do campo e observarmos os touros de lide e os cavalos a pastarem livremente, num perfeito encontro com a natureza. Este quadro idílico traz-nos à memória, o Campino, homem de coragem, que desempenha a sua profissão com paixão…. fazendo destes nobres animais os actores principais de uma cultura tauromáquica que se estende a todo o Concelho. Faz parte da história, “está no sangue” diz-se por aqui…
Do Tejo, a cultura Avieira, gentes vindas de Vieira de Leiria e outros locais, que ainda hoje trabalham na fauna, de corpo e alma, porque o Tejo faz parte integrante das suas vidas. A vida dura, o trabalho árduo, a pele marcada pelo frio e os braços doridos de tanta rede lançar ao rio na esperança de recolher…“o pão de cada dia”, contribuíram decididamente para forma e para o povoamento das vilas ribeirinhas, como Azambuja.
A Norte, o Bairro, freguesias de características rurais, onde predomina a policultura intensiva, com destaque para o pequeno proprietário agrícola que se dedica a uma agricultura familiar, onde a horta e a vinha são, ainda hoje, uma realidade, mas acima de tudo uma realidade que os liga à terra e aos seus antepassados.
Com traços culturais bem marcados que influenciam a actividade económica local ao nível do sector primário, Azambuja soube abrir as portas à industrialização, ao comércio e serviços, captando para o concelho um leque de empresas credenciadas no mercado fomentando o desenvolvimento económico e social nomeadamente através da criação de emprego. Assistimos, por isso à criação das zonas industriais implantadas nas Freguesias de Vila Nova da Rainha, Aveiras de Cima, Aveiras de Baixo, Azambuja e Alcoentre.
Funcionando de forma complementar e integral, aproveitando os excelentes recursos locais, o Município de Azambuja pretende que estes constituam um meio de divulgação e promoção sustentável de um concelho em desenvolvimento.